domingo, 3 de setembro de 2017

Sobre o Erasmo, ou que é

Setembro chegou. E com ele chegaram também imensos estudantes estrangeiros à cidade.

1) Ontem entrei num bar e quando dou por mim ao balcão com um inglês e um francês exclamo logo: "F***-se!, estou outra vez numa piada...". Infelizmente não estava nenhum preto, as puns deles costumam ser bem melhores do que as do português.

2) Eu sou um pouco socialmente inepto, pelo que para conseguir fazer um pouco de conversa nestas alturas dá imenso jeito descarregar estereótipos das diferentes nacionalidades e dos diferentes cursos de ensino superior. Por vezes, porém, é apenas interesse académico: interessa-me saber o que é que o irlandês faz de diferente ao fim de semana se ele já anda bêbedo desde segunda; perguntar ao chinês se cão vai melhor com branco ou tinto; dizer ao italiano que se é para estar a falar com as mãos seria mais útil aprender e fazer tradução simultânea em linguagem gestual e; principalmente, perceber se todos os asiáticos conduzem mesmo mal ou se essa ideia advém do facto de "um ou outro", extrapolado da Ásia para aqui, ainda serem uns valentes milhões. Saber de futebol também ajuda: qual é que é o estereótipo de um esloveno que estude, sei lá, Sociologia? Neste caso é sempre útil um "Oh, Slovenia! Hum... Zahovic!!!" Não vejo como é que a conversa não há-de fluir a partir daqui.

3) A língua também pode ser um problema. Não me queixo dos meus conhecimentos de inglês; que são A2 à hora do café, B2 à segunda cerveja, C2 enquanto me queixo que com esta idade já não devia beber shots e L17 às seis da manhã e me estão a mexer nos bolsos para me encontrarem o meu cartão de consumo. Não, não sou eu o problema. O problema é que o cabrão do espanhol vai continuar a insistir em falar-me em espanhol e negar perceber o meu português mesmo que eu esteja a falar à velocidade do Papa João Paulo II e o francês vai ter sempre aquela pronúncia que me vai transformar qualquer conversa numa cena saída do 'Allo 'Allo!.

4) Associar nomes a caras é uma mentira. "Polish Dude", "Guy from Math" e "The one that threw up over the balcony last week" são nomes perfeitamente aceitáveis. Assim como "Sven" se aplica a qualquer sueco e "The girl with the boobs" serve para todas as raparigas... com boas mamas... ou que tenham um formato esquisito.

5) Sejam bem-vindos, de qualquer maneira. Espero que nenhum de vós leia isto. Eu não aconselho pelo menos! O português é uma língua mesmo tramada de se ler para quem não conhece.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

not so famous quotes from A to Z

A seguinte colecção de imagens reune algumas das mais emblemáticas frases (que totalmente aconteceram) atribuídas a grandes figuras da história e da nossa actualidade, de A a Z.



sexta-feira, 8 de julho de 2016

Sobre o xadrez. Não esse, o outro.

Eu vivo perto da penitenciária. Boa vizinhança. E, como tal, há muito que estou habituado ao debitar de números, para mim aleatório, feito pelos guardas aos altifalantes do estabelecimento. Boa aparelhagem. Mas nunca, até hoje de manhã, tinha percebido o propósito. Teorias não me faltavam! Sempre imaginei recados como:

"...TRÊS! SEIS! OITO! ZERO! Ú! ÉFE! É PARA AVISAR QUE DEIXOU A SUA VIATURA COM OS FARÓIS LIGADOS!"

Ou:

"...UM! SEIS! E O NÚMERO SUPLEMENTAR É O: VINTE DOIS!"

E ainda:

"...DOIS! TRÊS! SETE! MI LIGA VAI!"

Não só recados, às vezes também podia ser:

"DOIS! TRÊS! QUATRO! CINCO! MEIA! SETE! OITO! ESTÁ NA HORA DE MOLHAR O BISCOITO!"

And so on...

Mas gente mais sábia eventualmente lá me disse: "Não sejas parvo, sabes muito bem que estão a falar para os presidiários". Ao que eu respondi: "Presidiários, que maricas! Diz-se presos e andam todos às riscas com bolas de ferro acorrentadas ao tornozelo, toda a gente sabe!". Mas lá concordei e acabei por reformular as teorias. Surgiu-me então:

"...E O DOIS! ZERO! NOVE! HOJE É A VOSSA VEZ DE LAVAR A LOIÇA!"

Também:

"...UM! UM! CINCO! E O UM! QUATRO! UM! É SÓ PARA DIZER QUE VOCÊS HOJE ESTÃO COM UM CABELO IMPECÁVEL!"

Ou até:

"O UM! ZERO! OITO! QUER DIZER AO UM! DOIS! CINCO! QUE GOSTA MUITO DELE E TEM SAUDADES!"

Provavelmente nunca foi dito nada disto mas quero pensar que sim. E queria sugerir também que, já que se ouve por toda a alta, poderiam começar a divulgar eventos culturais, últimas notícias ou falar sobre o estado do tempo: deve funcionar bem meteorologia com eco.
Para quem quiser mesmo saber (não me ocorre quem possa querer), entre outras coisas, normalmente é para informar quais os presidiários que têm visita... Eu sei, tinha mais piada quando achava que estavam a sortear presuntos, garrafas de espumante e varinhas mágicas em rifa.

Alegações finais:
Pronto.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Eu realmente tenho problemas muito específicos 11-20

#11 Eu realmente tenho problemas muito específicos. Hoje ouvi pela primeira vez deixas que eu pensava só serem possíveis em sketches. Ouvi "Olha a dona Sandra (não se chamava Sandra, whatever)! Está mais magra!" e "Oh menino vá dar uma granda volta!" (as funcionárias estavam a lavar o soalho e mandar-me ir à volta, literalmente).
Fico à espera de apanhar "o que tu queres é disto!", "o meu pai é mais forte que o teu vezes infinito" e "tu não tens personalidade jurídica!" num futuro próximo.

#12 Eu realmente tenho problemas muito específicos. Às vezes levanto-me com tanto sono que me troco todo a preparar-me para sair de casa não sendo raro guardar a escova de dentes no estojo dos lápis e calçar as meias no pé errado.

#13 Eu realmente tenho problemas muito específicos. Eu gosto de me passear nu dentro de casa. Mas depois tenho pudor de ir nu na rua para regressar à minha própria casa.

#14 Eu realmente tenho problemas muito específicos. Aos 13 anos o meu cão ficou surdo. Com muita pena pois ainda era o único que me ouvia. Vou começar a falar para o vaso de manjerico que está no segundo patamar das escadas e esperar que este, por sua vez, não tente acasalar com a minha perna.

#15 Eu realmente tenho problemas muito específicos. Por vezes fico tanto tempo detido no trânsito que quase posso jurar que o meu batimento cardíaco sincroniza com as escovas do limpa pára-brisas. O que se torna tramado quando cai aquela chuva miudinha.

#16 Eu realmente tenho problemas muito específicos. Mas não sou só eu. Por vezes ao pequeno almoço servem-me sumo de laranja tão natural que quase não se sente o sabor a plástico.

#17 Eu realmente tenho problemas muito específicos. Estava para aqui com as minhas ideias. E houve uma que me apoquentou em demasia.
Acham que os Teletubbies compraram aquele aspirador a meias ou será que é só de um deles?
E se tiverem de apontar um teletubbie como o responsável, o pai deles todos, o “provider", não concordam que seria o Tinkiewinkie?

#18 Eu realmente tenho problemas muito específicos. Hoje é o Dia do Guarda Chuva, pelo que eu perdi o meu. Sou mesmo uma nódoa a comemorar dias. Já no ano passado no Dia das Mentiras ilibei o gato ao assumir perante a minha mãe que tinha sido eu a derrubar o vaso e há três anos foram dar comigo a urinar num presépio em tamanho real na noite de consoada.

#19 Eu realmente tenho problemas muito específicos. Eu sou muito esquisito a pedir o meu galão. Costumo dizer que gosto da espuma do meu galão como a do meu fino. Mas acabam sempre por me servir o fino com dois pacotes de açúcar e o galão já todo morto, sem gás.

#20 Eu realmente tenho problemas muito específicos. Cheguei a esta conclusão, não por dar por mim a assistir ao Mean Girls a um sábado à noite, mas por literalmente ter parado o filme para pegar num lápis e em papel para resolver o primeiro exercício quando eles vão ao campeonato estadual de matemática.
Fizesse eu isto a ver A Beautiful Mind e nunca acabaria de ver o filme.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Um brinde a uma lista cumprida

Seguem em baixo as minhas 10 resoluções para 2016

10
Resolução de ano novo: passar mais tempo de qualidade com os amigos e jogar às damas com os inimigos.

9
Resolução de ano novo: começar a carregar o telemóvel no Colombo só pa ir mais vezes a Lisboa.

8
Resolução de ano novo: começar a beber em quantidade ímpar.

7
Resolução de ano novo: comprar uma motorizada para passear a família ao domingo.

6
Resolução de ano novo: formar uma banda de fado punk. Aceitam-se sugestões pa nomes.

5
Resolução de ano novo: aprender a tocar o hino nacional no paint.

4
Resolução de ano novo: conhecer melhor o meu amigo imaginário.

3
Resolução de ano novo: fazer uma cover de Enter Sandman em pipe.

2
Resolução de ano novo: arranjar um cão e um cajado e iniciar um negócio de pastoreio ao domicílio.

1
Resolução de ano novo: desenvolver consciência ambientalista e começar a urinar para o depósito do autoclismo. Para poupar água.

domingo, 13 de dezembro de 2015

3_

Publicado originalmente na página Facebook do blog em Janeiro de 2014

Nesta altura do ano em que somos assolados por um tempo com mau feitio vem de certeza à memória de todos o fim de semana de 19 de Janeiro de 2013. Para os que necessitam de ser recordados (e uma vez que não me apetece escrever muito mais) aqui vai um copy-paste da minha reacção a esse dia rude.
"Que dia atribulado! Em Coimbra, logo pela manhã, o céu já tinha caído e chovia-me até dentro das gavetas. Dispus-me a arrumar o quarto mas foi-me difícil com as árvores a cair-me constantemente no canto que tentava varrer. Fui à rua por volta da hora de almoço. Uma rajada de vento mais forte trouxe o Bernardo Fabrica, que ficou momentaneamente preso na antena de um prédio. Acalmou durante a tarde mas estou agora impedido de ir à cozinha pois ainda está a ser resolvido um acidente que envolveu dois ligeiros e um pesado de passageiros entre o quarto e a sala. Espera-se uma melhoria das condições atmosféricas durante a madrugada, altura em que tenciono jantar."
Relatos posteriores deram conta de uma motorizada enfaixada no frigorífico.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

2_

Publicado originalmente na página Facebook do blog em Janeiro de 2014

No segundo dia do ano tal como esperado pus em prática as minhas resoluções pelo que se tornou um dia muito produtivo: infindáveis horas em pesquisas random na internet e um rabo em forma de cadeira, já. A pesquisa de que vos vou falar levou-me por fim a um site governamental onde pude consultar uma lista dos nomes (próprios) que podem ou não ser dados às crianças. Eis uma pequena análise:
Abdénago é permitido ao contrário de Abdenego. Atenção às pequenas coisas que podem causar choque neste país de fortes tradições. Abelâmio, Absalão e Acúrsio pode ser, já Abelino nem pensar. Adamastor e Adónis, sim; Águas não. Adeodato, Adruzilo e Afrânio é perfeitamente normal mas livrem-se de tentar chamar nomes estranhos como Adércio, Adilson ou Admiro a uma criança! Uma mais simples, Aidé, OK, Aidi, KO. Aladino, o nome do popular rebelde das Mil e Uma Noites conhecido por conseguir o seu grande amor através da concretização de um dos seus desejos (hoje em dias há histórias parecidas mas chamamo-lhes roofies), é aceite em Portugal, já o nome da famosa cantora canadiana Alanis (Morrissette) não pode ser. Alcide não é permitido, se quiserem optem pelo normal Alcides. Ou Alcibíades, também é legal! Agora atenção, Almir, impossível (!), Almiro, tudo bem, mas Almirique já é abuso! Da mesma forma é permitido chamar Amor a uma criança no entanto Amorosa já é esticar a corda. Amorzinda pode ser, btw. Alix, correcto, Alvim, estás parvo?! É de notar também que ao passo que Adoração é proibido, nomes como Amador, Anjos e Aparecida não têm problema o que não deixa de ser engraçado uma vez que, apesar da versão masculina Aparecido não vir na lista, é um dos nomes que mais comumente me chamam. Agora entrando numa questão de toponímia, posso chamar uma criança de Afre, Afra, Africana ou Africano, nunca África. E também Argentina e Ásia são legais, já Açores e Atlântida não. Eu sinto aqui uma certa discriminação mas não encontro um padrão... Por exemplo, pode-se chamar Águeda a uma criança mas não Almada. Já vi guerras civis a começarem por menos. Note-se que eu percebo a proibição da esmagadora maioria destes nomes - são feios para caraças - mas isso inviabilisava grande parte da lista dos permitidos. A terminar os 'A's, destaque para a legalidade do nome André.
Perdi na letra A horas da minha vida que nunca mais vou recuperar pelo que não vou estender a minha análise à restante lista. E também porque pensei que isto ia ter mais piada.
Termino com um conselho para sexta-feira: absolutamente nada. É sexta, que mais se pode querer?